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Junho de 2018

  
A pergunta é: qual o melhor filtro? Você imagina qual seja a resposta ou já possui uma opinião a respeito? Estou certo de que existem dezenas de diferentes opiniões. Na minha opinião, acho que a melhor pergunta seria algo do tipo “Quais as vantagens que um filtro precisa ter para ser qualificado como bom, ruim ou ideal?” Ainda assim não há fórmula fixa, pois as variações e interesses podem influenciar na resposta. Mas bora lá, bora ver algo sobre os tipos filtros mais comuns do mercado e tentar entender o que seriam “vantagens” quando falamos de um filtro.
  

Vantagens 

  
Primeiraça: eficiência. O aparelho precisa fazer bem feito aquilo que esperamos dele. Claro que ele deve estar bem dimensionado em relação ao aquário.
  
Segunda: funções/filtragens múltiplas. Ter um mecanismo que realize, por exemplo, apenas a filtragem mecânica não é tão atraente quanto um outro que faça também a química e a biológica.
  
Terceira: qualidade do produto. Não dá pra ser um filtro (marca) que você viaje preocupado se ele vai parar, explodir, superaquecer, autodesmontar e pôr tudo a perder.
  
Quarta: o resto. Aqui entra mais a parte discricionária, do tipo, “o aquário fica no meu quarto, então, é legal que a bomba que roda o filtro seja silenciosa”. Quesitos como o tamanho, o consumo energético, estética etc. refletirão de acordo com os propósitos e limitações que o aquarista tenha. Uma vez que a eficiência e os tipos de filtragem estejam garantidos (e você confia no produto que está usando), as demais características citadas aqui serviriam mais para a escolha na hora de adquirir, entretanto, uma vez que farão a diferença na hora da escolher, vale a pena elencar nas vantagens.
  
E você, lembra os filtros que existem e como eles se dividem? Basicamente dividem-se naqueles que ficam dentro (filtros internos) ou fora (filtros externos) do aquário.

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Filtros Internos

  
Filtro de espuma: trata-se de um filtro que, na minha opinião, é muito limitado e de baixa efetividade, quando comparado a outros tipos existentes no quesito de eficiência. Normalmente ele é usado em aquários de filhotes, justamente para que os pequeninos seres não sejam sugados pelo fluxo de água. Consiste de uma torre vertical, com furos ou cortes (para passagem d’água), na qual é encaixada a espuma. Normalmente no topo da torre é fixada uma bomba submersa. Por ela reter toda sujeira, mesmo que bactérias nitrificantes se fixem ali, a lavagem vigorosa, no momento da manutenção do filtro, não permite que a filtragem biológica se firme a contento.
  
Help Filter (Filtro de Emergência): a espelho da descrição do filtro de espuma, em aspecto, estrutura e porte, este tipo de filtro é usado para fins práticos, muito específicos. Parece uma bobina cilíndrica, feita de polipropileno atóxico, cuja estrutura é formada de microporos, os quais – de tão finos – são capazes de reter algas ou sedimentos finos que estejam em suspensão. Serve para quando um desbalanço desses ocorre e o aquarista precise de meios rápidos para tornar a água cristalina novamente. Também precisa de uma bomba submersa.
  
Filtro Interno: ele é a junção da bomba submersa com a caixa que carrega consigo as mídias filtrantes. Alguns possuem espaço apenas para o perlon, visando a filtragem mecânica, outros já são bem pensados e têm espaço para outros tipos de mídia e, consequentemente, outros tipos de filtragem. O filtro interno é prático por ter ventosas para sua fixação no vidro, o que muitas vezes é útil para esconder o filtro ou alocá-lo numa região de baixa movimentação de água, tornando-o um otimizador da filtragem como um todo.
  
Filtro Biológico Modular (FBM): hahahaha…arrumei mais um espaço para falar dele. Normalmente de formato de ¼ de círculo, para se adequar ao canto do aquário, é composto de compartimentos sobrepostos e encaixáveis, os quais levam as mídias filtrantes. No cimo vai a bomba submersa, adquirida em separado, para rodar o filtro. Normalmente coloca-se no módulo superior as mídias para filtragem mecânica (perlon, cascalho etc.) e nas demais as mídias desejadas, sejam resinas ou carvão ativado para remoção de algum composto indesejável, sejam os anéis de cerâmica (que é o que prefiro) para a biologia do aqua.
  

Filtros externos

  
Filtro de Areia Fluidizada: nome estranho, mas que nada mais é que “areia molhada”. Brincadeiras à parte (mas você verá que tenho razão), trata-se de um cilindro com areia de tamanho uniforme dentro. Água limpa do aquário é puxada para dentro do filtro – portanto deve haver um anteparo que impeça sujeira de vir junto, um pré-filtro – fazendo a areia de dentro “fluidizar”, ou seja, ela fica solta, parecendo dançar ou flutuar no interior do filtro, como efeito da água circulante. Seguindo os mesmos princípios de outras mídias que buscam maximizar a área de superfície para realizar a filtragem biológica, foi idealizado este, onde as bactérias nitrificantes fixam-se sobre os milhares de grãos de areia.
  
Canister: um dos mais completos e procurados. Sua bomba puxa a água do aquário – como este filtro costuma ficar a certa distância abaixo, a água que chega a ele vem sem esforço, contando com a gravidade – e faz com que passe pelas mídias filtrantes. Por ter um espaço considerável no “balde”, geralmente é capaz de receber bons volumes das mídias desejadas; os vários modelos permitem ao aquarista compatibilizar com o volume do aquário, deixando-o levar o sozinho a função de filtragem.
  
Hang On: sem dúvida o mais prático dos filtros, é a cara do aquarista moderno sem muito tempo para dedicar às manutenções. A facilidade de tirá-lo da tomada, removê-lo do aquário e proceder a manutenção adequada acaba elegendo-o para boa parte dos aquários. Este filtro externo é aquele que fica pendurado na traseira do aqua, outra de suas vantagens, sendo que tudo que aparece é o cano coletor (quando o tanque tem o vidro traseiro pintado ou com algum painel); hoje alguns modelos coletam também água da superfície, o que auxilia bastante na retirada daquela película oleosa que observamos por vezes.
  
Sump: quando bem montado é um valioso aliado do aquarista, pois seu volume pode vir a ser considero “um extra” para o volume global do aquário. Este filtro se baseia numa caixa, normalmente feita de vidro, acondicionada no móvel do aquário. A água cai, passando por compartimentos sequenciais que contêm as mídias – um espaço enorme para utilização de todo tipo de mídia – e é devolvida para o aquário por meio de uma bomba forte. Suas desvantagens são o tamanho ocupado e os projetos ruins, os quais podem até mesmo fazer os aquaristas desistirem. Não arrisque, ponha o projeto de um sump nas mãos de alguém que saiba fazer.
  
Filtro UV: este também é muito específico, com a tarefa de impedir que bactérias, microalgas, esporos e muitas formas de vida microscópica se proliferem. Não é um filtro aconselhado para ser mantido em funcionamento 24h por dia, tal qual se faz para os demais filtros. O Filtro UV é normalmente constituído por uma estrutura hermética e tubular, cujo cilindro longo é preenchido por uma lâmpada de raios ultravioleta (por isso chamado de UV) que atua sobre a água que passa por ali.
  

O melhor filtro

  
Pronto, o mistério chegou ao fim. O melhor filtro de todos é aquele que atende perfeitamente a necessidade do aquarista! “Não acredito que li tudo até aqui pra ele dizer isso!” Calma, nem tudo está perdido, a conclusão é séria. Não se escolhe o filtro por ter ele o maior preço da loja, nem porque seu vizinho tem o filtro X da marca Y. Você escolhe um filtro conforme a configuração do SEU hobby.
  
Se o aquarista procura algo para manter bem seus filhotes num aquário destinado à alevinagem, é bem provável que o mais simples dos simples seja o ideal: o filtro de espuma + bomba submersa.
  
“Mas meu caso não é esse Johnny! Comprei um aquário ontem e descobri só hoje que preciso colocar um filtro, como escolho?” Podemos ver uns exemplos para ver se você capta a ideia e possa decidir por si próprio com mais segurança.
  
Regra-base: Você precisa tornar compatível o poder do filtro, considerando a capacidade de circulação com os tipos de filtragem (biológica, física e química), associado a uma população dentro de um contingente calculadamente saudável.
  
A população, um quesito chave para o sucesso de qualquer empreendimento aquarístico, deve ser bem pensada para que ela não seja a responsável por sobrecarregar o sistema. Como base para que você fique norteado no quesito “população”, gosto de pedir para as pessoas pensarem em 1cm de peixe (tamanho adulto) por litro (real) de água. Obviamente, refiro-me aqui a peixes com comportamentos sociais compatíveis entre si e com o volume do aquário (não pense que o “peixe cresce de acordo com o volume do aquário”). Aquaristas mais experientes sabem que a fórmula não é exata e que atenuantes podem ser usados para amentar a densidade populacional (espécies pacíficas, layout etc.).
  
Voltando a falar de filtros…Para aquários diminutos, não é fácil pensar em um, já que nada cabe neles. Por exemplo, um aquário de 4,5 litros (20x15x15cm) – excelente para um único beta macho – ou um de 12 litros (30x20x20cm) – perfeito para um trio de Aphyosemion australe (killifish) – que filtro usar? Aquários nestes volumes é melhor você realizar sifonagem do fundo, acompanhado de costumeiras trocas parciais (TPAs…sempre! Para todos os aquários.). Lembro apenas que volumes menores são mais suscetíveis a catástrofes repentinas, justamente por não terem volume para minimizar impactos, como queda de temperatura ou concentração de alguma toxina (ex: amônia).
  
Já um aquário de 36 litros (40x30x30cm) – considerando um volume real de uns 30 litros e que contenha dois pequenos cardumes de tetras (tipo neon e black phantom com 4 indivíduos cada) – um bom filtro externo do tipo Hang On, que tenha um poder de circulação de cerca de 4 ou 5 vezes o volume do aquário (30 litros) por hora, seria suficiente. Para um maiorzinho, tipo 60 litros (50x40x30cm) – 52 litros reais, 4 barbos cereja, 2 colisas e 1 labeo bicolor – eu preferiria colocar um FBM, com 3 módulos, contendo perlon em cima e duas “gavetas” de anéis de cerâmica abaixo, movido por uma bomba com a mesma proporção do descrito antes.
  
E como exemplo final, pensando num aquário de 250 litros (100x50x50cm) – 235 litros reais, com 5 acarás-bandeira, 16 neons, 6 corydoras, 8 lápis, 8 borboletas – se eu fosse sugerir, falaria de uma combinação de filtros, não um só. Um canister, aliado a um Hang On, poderiam promover ótima circulação de água, visto que haveria dois pontos de moção da água, otimizando a atuação dos filtros. Para mim, é sempre mais confortável poder contar com mais de um ponto de filtragem, o que garantiria uma sobrevida do sistema no caso da falha de um deles.
  
“Eu pesquisei na internet o tamanho dos peixes e vi que, em alguns exemplos, o Johnny não chegou ao limite…por que será? Ele não sabe somar?” Quem não decidiu comprar um peixinho depois de estar tudo pronto e projetado que atire a primeira pedra…Você não precisa levar o hobby com os limites já alcançados. Vá com calma, aproveite, aprecie e se algo tentador aparecer no caminho, recalcule, adapte…mas faça com responsabilidade.
  
Meu pensamento, nestes exemplos acima, foi de incrementar os filtros à medida que possuo mais peixes, nada mais. Há muita coisa boa no mercado, em termos de opções de filtro, e podemos nos dar ao luxo de escolher, ainda assim, não compre gato por lebre…não custa nada perguntar nos fóruns, aos colegas, ao lojista de confiança sobre o desempenho dos filtros e a respeito da melhor escolha para o aquário que você decidiu montar. O texto aqui é para gerar reflexão sobre o tema, não para escolher por você.

  
No aquarismo não temos muitas regras fixas, mas sim experiências e aconselhamentos advindos das melhores técnicas empreendidas ao longo dos anos. Seguir algumas delas ajuda encurtar o caminho e a se precaver de cenários catastróficos.
  
Antes de simplesmente comprar qualquer filtro só porque alguém falou, avalie se ele serve para você. Um super filtro para um aquário modesto? Um filtro questionável para um super aquário? Já tendo ideia sobre o que o filtro faz, pesquise, pergunte e decida o que melhor lhe convém para prover o que os peixes precisam. No mais, seja feliz com seu aquário!
  
E assim, despeço-me novamente, agradecendo por mais esta leitura! Até a próxima!

  

Sobre o Autor

João Luís (Johnny Bravo) é brasiliense, daqueles que não se conformou só com o lago Paranoá e foi estudar Oceanologia pela FURG/RS, ingressou no mundo do aquarismo como palestrante e autor de textos há 10 anos, onde cambou para o lado dos Ciclídeos Africanos. Articulista das melhores revistas do ramo, escreveu matérias de capa para a Revista AquaMagazine e Aqualon. Nascido em 1975, é aquarista há 40 anos, pois da água veio e nela gosta de estar. E, hoje integra o time de escritores especializados do Grupo Sarlo.